Chamo-me Cristiane, tenho uma filha de 7 anos e estou grávida de 8 meses.
No último sábado, uma tragédia se abateu sobre minha família, ceifando a vida do meu esposo de apenas 38 anos.
Tanto em razão do meu estado gestacional, como em razão da dificuldade que esta situação traz consigo, meus amados e cuidadosos familiares se organizaram para preparar a mim e a minha filha para receber tão triste notícia.
Fizeram então contato com a minha obstetra e trouxeram um médico à minha presença (a essa altura eu já sabia que havia acontecido um acidente, mas ainda não sabia que havia sido fatal).
Meu pai esperava que o calmante prescrito fizesse efeito, quando de repente vi a notícia do acidente no DF-TV. Não ouvi nada. Apenas vi a imagem da moto do meu amor. Comecei a gritar e de repente apareceu a imagem do corpo no chão!!!!
O desespero invadiu minha alma. As pernas me faltaram e eu caí no chão, sendo reerguida e amparada pelos que estavam à minha volta. Ressalte-se que minha sogra estava ao meu lado e tb viu aquela imagem do seu filho morto.
Mais tarde fiquei sabendo que a minha enteada, que tem 20 anos, ficou sabendo dessa tragédia por meio do mesmo jornal a que me referi acima,sendo muito difícil acalmá-a depois disso.
Também depois fiquei sabendo que eles divulgaram informações até de local de trabalho. Ora, imagino que se tinham tantas informações, poderiam, se tivessem sensibilidade, verificado se os entes mais próximos daquele ser humano caído já sem vida no meio da rua já tinham tomado conhecimento dessa tragédia que lhes causaria imensa dor.
Poderiam, mas não o fizeram numa demonstração fria de que estão preocupados apenas com o ibope, com os lucros dos comerciais sem preocupação com os impactos de notícia. Meus Deus, que prejuízo haveria em verificar o que mencionei ou retardar a divulgação??? Mas isso sequer passou pelas suas cabeças, infelizmente.
Escrevo esta carta na tentativa de sensibilizar aos responsáveis pela divulgação das notícias para que outras mães, esposas, filhos, pais, irmãos tenham o direito de receber este tipo de notícia com o mínimo de dignidade.
Conto com meus amigos e com os amigos dos meus amigos para que este apelo circule e chegue ao maior número de pessoas possível.
Cristiane
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